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Foto: Antônio Scarpinetti - Portal UnicampA professora Sandra Pelegrini, do Departamento de História da UEM, lançou o livro O que é Patrimônio Cultural Imaterial, pela Coleção Primeiros Passos da Editora Brasiliense. A obra foi escrita em conjunto com professor Pedro Paulo Funari, da Universidade Estadual de Campinas, onde Sandra Pelegrini realizou seu pós-doutorado, pelo Núcleo de Estudos Estratégicos.

“A idéia do livro é incentivar a população brasileira a valorizar seus bens culturais intangíveis, sentindo-se parte dele”, anuncia Pelegrini. Com uma linguagem acessível à população em geral, a obra analisa os principais bens imateriais brasileiros sob uma perspectiva histórica e antropológica. E discute o que exatamente configura um bem imaterial, as formas de avaliá-lo e, principalmente, a importância de preservá-lo.

Foi nas últimas décadas do Século XX, segundo a professora da UEM, que a acepção de patrimônio se ampliou para além daquilo que é material. Esse movimento ecoou dentro da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) viabilizando as reivindicações para valorização de tradições culturais populares como bens a serem preservados e transmitidos às gerações futuras.

 “A percepção de que seria importante resguardar saberes e fazeres como patrimônio de um povo, motivou muitos países a formular políticas preservacionistas próprias. O Brasil saiu na frente e, em 1988, a Constituição da República dispôs que patrimônio cultural brasileiro se constituía de bens materiais e imateriais relativos à identidade e à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira. Essa iniciativa foi fundamental para a aprovação, em 2000, de uma lei nacional de registro de bens de natureza intangível”, explica Pelegrini, lembrando que não demorou muito para surgirem os resultados práticos da nova legislação.

Em dezembro de 2002 registrou-se oficialmente o primeiro bem brasileiro nessa categoria: a fabricação artesanal de panelas de barro em um bairro da cidade de Vitória, capital do Espírito Santo, registrado como Ofício das Paneleiras de Goiabeiras. O último foi a Capoeira, em julho de 2008, celebrada em todo o Brasil, inclusive em Maringá que reúne alguns grupos de capoeira já tradicionais na cidade. Atualmente há uma lista com 14 bens brasileiros elevados à condição de patrimônio cultural imaterial e, segundo dados do Iphan, mais de 30 inventários estão em andamento, alguns já em fase conclusiva. São festas, lugares, rituais, expressões artísticas e conhecimentos populares que, de uma forma ou de outra, traduzem um pouco da “alma” de um povo.

Serviço:

O Que é Patrimônio Cultural Imaterial

Autores: Sandra C. A. Pelegrini e Pedro Paulo Funari

Editora Brasiliense, Coleção Primeiros Passos
Preço: R$ 16,00

Páginas: 116.