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Palco de algumas das mais expressivas assembléias de greve, além de espaço para reuniões e eventos que marcaram a história da instituição, o Dacese foi reinaugurado, hoje (17), numa solenidade incluída nas comemorações dos 40 anos da Universidade Estadual de Maringá.

Todo revitalizado com recursos da própria UEM, o auditório, ligado ao Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CSA), foi construído na década de 70 com nome de Centro de Estudos Socioeconômicos. Com a ampliação das obras no câmpus, o auditório passou a ser usado com menos freqüência e de 1999 a 2007 ficou interditado.

Ao receber o apelo de estudantes e da direção do CSA, em 2006, o reitor Décio Sperandio se sensibilizou a decidiu restaurar o espaço. A Prefeitura do Câmpus da UEM (PCU) fez a urbanização do projeto, como o plantio da grama, e acompanhou a execução do restante do trabalho, feito por empresas terceirizadas.

Além da construção de estacionamento e das calçadas, a reforma e adequação do Dacese envolveu a troca do teto, pintura de paredes, instalação de ventiladores e de cadeiras com estofamento, troca das redes elétrica e hidráulica, instalação de sanitários em conformidade com a nova legislação, entre outras benfeitorias.

Durante a restauração, a PCU teve a preocupação de manter o máximo possível as características do projeto inicial do Dacese, incluindo a preservação da varanda e das janelas.

Ao discursar na cerimônia de reinauguração, o diretor do CSA, Clóvis de Souza, disse que a reabertura do Dacese representa “mais uma página da história da UEM”. Frisou que o auditório foi construído a partir de “arrojadas iniciativas de líderes estudantis”, incluindo até a rifa de um veículo.

Souza também destacou o papel do professor Neio Lúcio Peres Gualda, ex-diretor do Centro, na luta pela não demolição do auditório. O diretor ainda falou do importante papel do Conselho de Administração (CAD) da UEM na decisão pela aprovação da reforma e adequação do prédio.

O estudante Diego Franco Pereira, representando os centros acadêmicos ligados ao CSA, agradeceu os CAs e disse que os alunos estavam precisando de um espaço como esse. O também estudante Stéphano Farias Nunes, coordenador do Diretório Central dos Estudantes (DCE), afirmou que o espaço político dentro da universidade mudou e pediu apoio e comprometimento das autoridades presentes para a construção da Casa do Estudante.

Ex-diretor de Centro, José James da Silveira fez um resgate sobre a história do Dacese e disse ter a convicção que o espaço será utilizado agora para a realização de grandes eventos.

O ex-diretor do CSA, Neio Lúcio Peres Gualda, enfatizou que 2009 foi um ano especial para o curso de Economia, inclusive devido à reinauguração do Dacese. Fez um agradecimento especial a Décio Sperandio pela ajuda imprescindível ao curso. “Agora, começa um novo momento da história”, disse.

Aluno da época e ex-vice reitor da UEM, José de Jesus Previdelli ressaltou a luta para construção do auditório. Foi em nome dele a aquisição do maverick comprado de uma revendedora da cidade e que depois foi vendido, por meio de rifa, entre os estudantes.

O prefeito Silvio Barros lembrou que o espaço foi muito importante na vida dos membros da comunidade universitária. Segundo ele, a construção de um espaço, na década de 70, para debater inclusive a política, caracterizava-se um problema ainda maior em razão da ditadura militar.

Barros parabenizou Décio Sperandio pela iniciativa e se recordou ter sido um dos responsáveis pelo lançamento do jornal acadêmico “Grito”, na UEM, quando era estudante de engenharia civil. Ele propôs aos atuais alunos da Universidade para que usem o espaço muito mais para escrever a história do que para contá-la ou comemorá-la.

O reitor afirmou que o Dacese integra a trajetória de vida de cada pessoa. Assinalou ter freqüentado o local como membro do CAD entre 1984 e 1988, tendo adquirido um grande aprendizado nos períodos de greve.

Para Sperandio, devemos preservar o patrimônio histórico da instituição. “O Dacese não poderia ser demolido e nem utilizado para outra finalidade”, declarou. Conforme ele, ao assumir a Reitoria o auditório era usado como depósito de material de construção.

A professora Evandir Codato aproveitou para apresentar documentos que foram resgatados e fazem parte da história do Dacese, como o movimento de caixa do antigo Centro Acadêmico Roberto Simonsen, de 30 de junho de 1975, e carteirinhas de alunos. Codato desenvolveu o trabalho como parte do projeto de implantação do Sistema de Arquivos da UEM, lançado pela Reitoria na atual gestão.

Também compareceram à solenidade, entre outras autoridades, o diretor-adjunto do CSA, Antonio Carlos de Campos; o ex-diretor do CSA, José Roberto Pinheiro de Melo; o chefe de Gabinete da Reitoria, Júlio Santiago Prates Filho; a pró-reitora de Recursos Humanos e Assuntos Comunitários, Neusa Altoé; o padre José Silveira, representando o arcebispo D. Anuar Battisti; o presidente da Associação dos Funcionários da UEM, Antonio Szidzinski; o ex-pró-reitor de Administração, Minoru Takahashi; diretores e diretores-adjunto de centro; assessores; e chefes e chefes-adjunto de departamento.

 

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