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Projeto do palhaço Lero Lero leva descontração aos pacientes do HU

 Qual o dia da alegria no Hospital Universitário de Maringá? Você sabe responder? Muita gente acredita que não existem momentos alegres por lá. Foi para mostrar a essas pessoas que é preciso e possível se desvencilhar das adversidades trazidas pelas doenças que surgiu um projeto cheio de alegria, sim senhor! É a visita do palhaço Lero Lero, nariz de farelo, às dependências do Hospital Universitário de Maringá (HU), vinculado à Universidade Estadual de Maringá. Este ano, a iniciativa completa 17 anos de muito amor e dedicação.

Lero Lero, 68 anos, uma vez conhecido por Augusto César Castelo Branco, chegou a Maringá há 40 anos. Depois de ter passado por um problema de saúde, reconheceu a necessidade de trazer para o ambiente hospitalar um pouco de leveza, por meio da alegria do palhaço. Desta forma, começou a frequentar o HU, oferecendo a crianças e adultos um pouco de distração. 

Mas, hoje, Lero Lero representa muito mais que isso. Além de oferecer a oportunidade de umas boas risadas, ele ainda faz o papel de educador. Já são cinco pequenos livros publicados, por meio dos quais ele ensina questões fundamentais às crianças. Uma das edições incentiva a leitura, outra dá dicas de saúde, como a prática de exercícios e o consumo de água em vez de refrigerantes. As publicações, que são distribuídas gratuitamente durante as visitas de Lero Lero, ainda incentivam o estudo e falam da importância do consumo de alimentos saudáveis. As edições, bem simples por sinal, ajudaram na escolha do palhaço para receber o título de Mérito Comunitário da Câmara de Vereadores de Maringá, em 2015.

palhaco lero--lero hu 20170425 1139157618Hoje, além do HU, o Doutor Caça Tristeza atua em lares de idosos, creches, escolas, além dos hospitais Metropolitano e Santa Rita. Segundo Lero Lero, a proposta é apoiar os pacientes e alunos, mostrando ainda a importância do Sistema Único de Saúde para as pessoas. 

“O SUS atende a todos, sem discriminação de raça, classe econômica e gênero. As pessoas precisam saber do tesouro que têm à sua disposição. O problema das filas nos hospitais não está na administração deles, mas sim pela falta de recursos encaminhados pelo governo, que não permitem que as estruturas destes hospitais sejam maiores. Porém, mesmo sem leito e sem estrutura adequada, o SUS atende a todo mundo. Por isso é que, muitas vezes, o atendimento demora, não há leitos, mas o paciente é atendido, nem que seja no corredor”, explica o palhaço, que teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC), e foi tratado pelo SUS. 

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E são as pessoas que o SUS acolhe que as maiores beneficiadas pela ação do palhaço. Ágata (foto acima), de cinco anos, diagnosticada com diabetes, aprendeu uma lição. Decorou que “não é para comer muito doce, bala, refrigerante, porque tem muito açúcar e faz mal para saúde”. A mãe dela, Luciana Pereira, disse que muitas crianças ficam amuadas quando estão internadas e “a presença do palhaço ajuda a levantar o ânimo delas”.

Antony, de 8 anos, também aprendeu que não é “legal comer muito doce e é para consumir água”, assim como Nicolas, que acrescentou que Lero Lero “traz muita alegria e ensina para a gente muita coisa”. Ele estava acompanhado da tia, Priscila Vidal, que destacou a importância do trabalho do palhaço, de trazer o lúdico para dentro do hospital. No final, todos admiram a ação deste personagem. “A hora que ele vem, as crianças ficam mais felizes. Eu acho muito bom o trabalho do Lero Lero”, acrescenta Luciana Carvalho Rodrigues, mãe de Mike, que estava bem amuado no leito até a entrada do palhaço na enfermaria.

É importante dizer que todo o trabalho de Lero Lero é feito voluntariamente com a ajuda dos empresários da cidade. É com essas contribuições que ele edita as publicações, se desloca e cria as condições de alegrar as pessoas por onde passa. Quem quiser contribuir com o projeto dele pode entrar em contato com Lero Lero pelos telefones (44) 98819-5160 ou 3253-6565. Além de aceitar contribuições em dinheiro, ele também convoca as pessoas a o ajudarem nas intervenções nos locais que visita. “Afinal, é sempre bom ajudar a quem precisa”, concluiu o palhaço.

Segundo a diretora de Enfermagem do HU, Marli Balan, a ação de Lero Lero faz parte das atividades de humanização do hospital. “Ele vem em busca de alegrar as crianças, mas, na verdade, todos os pacientes acabam gostando. Ele é bem humorado e acaba aliviando o sofrimento de quem está internado. Passa em todos os setores do hospital. Traz uma descontração e isso ajuda bastante no tratamento”, completa a diretora.