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Pesquisa de Daniele Fébole analisou o atendimento à população LGBT no âmbito da saúde pública brasileira

Ex-aluna de mestrado da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Daniele Fébole recebeu, no último dia 29 de novembro, em São Paulo, menção honrosa pelo fato de a dissertação dela ter sido selecionada entre as cinco melhores na categoria em nível nacional.

O Prêmio de Incentivo em Ciência, Tecnologia e Inovação para o SUS – 2017, promovido pelo Ministério da Saúde, teve mais de 500 trabalhos inscritos de todo o Brasil.

Daniele foi aluna do Programa de Pós-Graduação em Psicologia (PPI), da UEM, e defendeu, em 2016, a dissertação "A produção de violências na relação de cuidado em saúde da população LGBT no SUS", sob a orientação do professor Murilo Moscheta, coordenador do grupo Deverso - grupo de pesquisa em sexualidade, saúde e política, do Departamento de Psicologia. 

O estudo desenvolvido por ela integra o conjunto de trabalhos desenvolvidos pela Pesquisa Nacional Acesso e Qualidade da Atenção à Saúde da População LGBT no SUS, coordenada nacionalmente pelo Núcleo de Estudos em Saúde Pública (Nesp) - UnB e, em nível local, pelo Deverso.

Na foto de Erasmo Salomão (Ministério da Saúde), Daniele recebe o prêmio das mãos do secretário de ciência, tecnologia e insumos estratégicos do Ministério da Saúde, Marco Antônio de Araújo Fireman.

A pesquisa

A pesquisa premiada foi uma investigação sobre a produção de violências na relação de cuidado em saúde de lésbicas, gays¸ bissexuais, travestis e transexuais (LGBTs) em sua relação com os efeitos de visibilidade e invisibilidade dessa sexualidade, no âmbito da saúde pública no Brasil. 

"Consideramos que a assistência à saúde é atravessada por efeitos de violência advindos de uma construção social do cuidado pautada em normatizações de gênero e sexualidade. Utilizamos para análise 8 oficinas realizadas com a população LGBT e organizamos dois eixos de análise: o primeiro traz narrativas que descrevem momentos de atendimento em saúde em que há a violação de direitos previstos em normativas e leis; portanto, são violências institucionalmente reconhecidas como violências; o segundo traz categorias de análise que descrevem formas de violência, a partir da visibilidade ou invisibilidade de aspectos que se relacionam à sexualidade LGBT, quais são: sobreposições, desfoco, deslegitimação. Estas não são vistas como violência por parte de profissionais da saúde, mas se relacionam a um posicionamento éticopolítico das políticas públicas e da formação de profissionais", diz resumo do trabalho.

Uma das conclusões da pesquisa é que mais do que treinar profissionais para o atendimento precisamos considerar qual a dimensão política buscamos alcançar no SUS. "Os atendimentos, sendo heteronormativos como vimos, produz violências e continua reproduzindo essa estrutura que perpetua a hierarquização sexual. A construção de ações e cuidado em saúde não discriminatórias e produtoras de violência parece estar na negação dessa lógica heteronormativa que orienta a formação e os padrões de atendimento em saúde", relata Deniele.

Evento

A entrega da premiação ocorreu durante o evento “Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde 2017: conectando pesquisas e soluções”, ocorrido nos dias 29 e 30 de novembro na capital paulistana, com a presença do ministro da Saúde, Ricardo Barros.

O evento reuniu 48 representantes de instituições nacionais e internacionais, incluindo o vencedor do prêmio Nobel de Medicina em 1998, Ferid Murad, com o objetivo de debater os maiores avanços científicos de temas emergentes da agenda de saúde, buscando a troca de conhecimento, o estímulo à inovação no país e a conexão entre resultados de pesquisas e a geração de soluções em saúde.

O Prêmio de Incentivo em Ciência, Tecnologia e Inovação para o SUS – 2017 visa valorizar a comunidade científica que contribui para o desenvolvimento das políticas públicas de saúde no País. 

O prêmio está na décima sexta edição e recebeu 522 projetos inscritos nas categorias Trabalho Científico Publicado; Tese de Doutorado; Dissertação de Mestrado; Produtos e Inovação em Saúde e Experiência Exitosa do Programa Pesquisa para o SUS: gestão compartilhada em saúde (PPSUS).