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defesa aberta

O Programa de Pós-Graduação em Educação já conta com um terceiro indígena cursando o mestrado na Universidade

Entre as defesas de mestrado em 2018, o Programa de Pós Graduação em Educação (PPE), da Universidade Estadual de Maringá (UEM), titulou mais um indígena no Paraná, o professor de Geografia Isael da Silva Pinheiro, da etnia Guarani.

Isael defendeu a dissertação no último dia 24 de maio. Ele atua na escola bilíngue da Terra Indígena São Jerônimo, município de São Jeronimo da Serra, Norte do Paraná.

O professor é formado em Geografia pela Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), no programa de Ação Afirmativa do Estado, via Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (Seti). Por meio deste programa, as instituições de ensino superior públicas estaduais (IES) oferecem vagas suplementares em seus cursos de graduação para os povos indígenas pertencentes às etnias territorializadas no Paraná: os Kaingang, Guarani e Xetá. Os estudantes, de famílias que não têm renda fixa, também recebem do governo estadual, uma bolsa auxilio que os ampara nos estudos.

A UEM se destaca na política de inclusão e acesso dos povos indígenas a níveis mais elevados de educação, pois é a única IES estadual, até o momento, a formar profissionais indígenas em nível de mestrado. O primeiro mestre indígena no Paraná, Florencio Rekayg Fernanades, recebeu o título do PPE em 2016. Seguindo este caminho, outras IES como a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) e a Universidade da Integração Latino Americana (Unila) também iniciariam a titulação de mestres indígenas.

Terceiro

O Programa de Pós-Graduação em Educação tem se fortalecido nesta ação e já conta com um terceiro mestrando indígena, o Guarani, diretor de escola, professor Jefferson Gabriel Domingues. Segundo a professora Rosângela Célia Faustino (a última, à direita, na foto abaixo), orientadora destes profissionais, "esse fato representa um grande passo da UEM para o empoderamento e a autonomia dos povos indígenas no Paraná, uma vez que titulados poderão coordenar pesquisas próprias e melhorar o acesso a empregos e renda".

bancas

A UEM também está investindo fortemente na formação e pedagogos e professores indígenas para que ocupem as gestões de suas escolas e as salas de aula. Uma das novidades é a oferta da modalidade de Educação a Distância aos povos indígenas, bastante procurada pelas mulheres, que tem maior dificuldade de sair das aldeias devido às responsabilidades com filhos e as famílias. 

Atualmente, é a instituição estadual que tem o maior número de alunos, ou seja 53 estudantes matriculados e frequentando regularmente os cursos. Em segundo lugar vem a Universidade Estadual de Londrina (UEL), com 34 estudantes matriculados. Todas as demais universidades estaduais contam com estudantes indígenas que ingressam tanto pela política de ação afirmativa do Estado como pelos vestibulares universais das IES.

Segundo Rosangela Faustino, que também é a coordenadora da Comissão Universidade para os Índios (CUIA)/UEM), o acesso ao ensino superior, tanto em nível de graduação como de pós-graduação, é muito relevante, porque assim as IES contribuem para a igualdade de condições, autonomia e equidade para os povos indígenas.