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Substâncias isoladas e identificadas por pesquisadores da UEM, com potencial de desenvolvimento de um produto herbicida, serão enviadas para a sede da empresa

Nas próximas semanas, a UEM (Universidade Estadual de Maringá) enviará para a Alemanha amostras de sete substâncias isoladas e identificadas pela Universidade e selecionadas pela BASF para dar sequência aos testes da empresa química que visam desenvolver novos protetores de cultivo (herbicidas).

Este envio das amostras é fruto do convênio entre as partes, e que marca o pioneirismo da UEM na transferência de tecnologia gerada pela instituição para ser explorada comercialmente por uma multinacional.

No último dia 21, o Conselho de Administração (CAD), da UEM, aprovou o encaminhamento das substâncias para a matriz da BASF, na cidade de Ludwigshafen am Rhein, normatizando as condições legais desta parceria iniciada em 2013.

As substâncias foram isoladas e identificadas por pesquisadores dos Departamentos de Agronomia (DAG), Química (DQI) e Bioquímica (DBQ), por meio de um projeto multidisciplinar coordenado pela professora Emy Luiza Ishii Iwamoto, do DBQ.

Os pesquisadores fizeram, na verdade, estudos de screening de atividade herbicida com diversas substâncias com potencial para proteção de cultivos. Informações sobre todas as substâncias identificadas foram enviadas para a sede da BASF que selecionou sete para dar prosseguimento às outras fases do desenvolvimento de um produto.  

Emy Iwamoto e o professor Gilberto Catunda Sales (DAG), que também está envolvido no convênio, enfatizaram a importância da parceria com as empresas para a transferência de tecnologia porque representa a possibilidade da exploração comercial de um conhecimento gerado na Universidade. A professora do DBQ ainda relata que esta parceria entre as Universidades e as empresas privadas é uma tradição em vários países de primeiro mundo, sendo uma importante fonte de financiamento para o avanço das pesquisas.

Outros projetos vêm sendo desenvolvidos como fruto do convênio amplo entre a UEM e a BASF, envolvendo pesquisadores de outras áreas além das três citadas acima. Um deles, sob a execução do professor Jamil Constantin (DAG), já resultou na obtenção de três registros de patentes, uma abrangendo a proteção de cultivo na cana-de-açúcar, outra no controle da folha estreita e uma terceira no controle da planta daninha - folha larga.

Conforme Catunda Sales, este fato mostra que a previsão inicial da BASF, de que o convênio poderia gerar ao menos uma patente a cada cinco anos, está sendo superada.

O acordo de cooperação técnica que visa o desenvolvimento de novas tecnologias de interesse comum às duas instituições foi firmado em fevereiro de 2013, no Rio de Janeiro, entre a Unidade de Proteção de Cultivos da BASF e a UEM.

A parceria segue o conceito de inovação aberta pela qual empresas e instituições desenvolvem, conjuntamente, estudos científicos, em prol de objetivos comuns.

A duração do contrato é de cinco anos e estão previstas, inicialmente, pesquisas em soja, cana-de-açúcar, frutas e vegetais. A parceria tem como destaque projetos na prospecção tecnológica de novas moléculas com potencial para proteção de cultivos, inovação e transferência de tecnologia.

Seguindo o modelo de projeto “guarda-chuva”, com o qual é possível o desdobramento da parceria em outras iniciativas ou subprojetos, a principal vantagem competitiva está na troca de experiências, know-how  e, principalmente, na possibilidade de geração de novas soluções e produtos ligados à sanidade vegetal. Trata-se do primeiro projeto da BASF, do gênero inovação aberta, firmado com uma Universidade no Brasil.