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2019 02 22 1 Colóquio César Timo laria MG 1142

Foco do colóquio, o estudo sobre Célula Beta reúne diversos cientistas do País; veja fotos do evento

Alguns dos principais pesquisadores brasileiros sobre as células beta, responsáveis pela produção e armazenamento da insulina, o hormônio produzido pelo pâncreas, estão reunidos na Universidade Estadual de Maringá para discutir os avanços científicos na área.

Entre estes avanços estão o desenvolvimento de fármacos, muitos dos quais sendo testados, e a descoberta de mecanismos sobre como o pâncreas libera a insulina.

Na prática, isso significa que o cenário é positivo no sentido de poder oferecer aos diabéticos, cujo pâncreas não produz insulina suficiente, novos medicamentos para o tratamento da doença, com a redução do uso de insulina, amenizando, com isso, o incômodo causado pelo processo invasivo da aplicação diária de insulina no corpo e pelo relativo custo monetário.

Os fármacos em teste não apenas previnem o Diabetes, conforme explica o doutorando Sivano Piovan, coordenador do Colóquio, como também possibilitam o tratamento de maneira mais branda.

Denominado 1º Colóquio César Timo-Iaria: a célula beta como alvo da programação metabólica', o evento, no bloco K-68, faz uma homenagem ao médico que empresta o título ao encontro, considerado o pai da neurociência no Brasil, e também aos 50 anos de carreira do fisiologista Ângelo Rafael Carpinelli, da Universidade de São Paulo (USP).

Graduado em Medicina, Carpinelli (foto abaixo), participante do Colóquio, tem doutorado em Ciências (Fisiologia Humana), título de Livre Docente pelo Departamento de Fisiologia e Biofísica da USP, onde atualmente é professor titular. 

Carpinelli

Os 50 anos de carreira do cientista tem como marca o estudo e a contribuição dele com as pesquisas sobre os mecanismos moleculares da secreção de insulina. 

Neste período, Carpinelli formou algumas dezenas de pesquisadores que hoje dão continuidade a sua linha de pesquisa, incluindo o professor Paulo Cezar de Freitas Mathias (UEM), idealizador do Colóquio. 

A programação do evento busca criar interação e troca de experiências entre pesquisadores, professores e alunos de graduação e pós-graduação que pertencem ou pertenceram a grupos de pesquisas que descendem da orientação de Carpinelli. 

O encontro tem a participação de pesquisadores da UEM, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), USP, Universidade Estadual de Londrina (UEL), Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Universidade Federal de Goiás (UFG), Universidade de Coimbra-Portugal, entre outras instituições.

São pesquisadores e pós-graduandos que investigam como a célula beta é afetada por alterações no metabolismo, sob a ótica do conceito DOHaD (Origens Desenvolvimentistas da Saúde e Doença). 

De acordo com este conceito, eventos estressores ocorridos em algumas fases da vida (pré concepção, gestação, lactação, infância e adolescência) podem programar metabolicamente o organismo para o desenvolvimento da saúde e da doença na vida adulta e nas próximas gerações. 

Célula Beta

Responsáveis pela produção de insulina, as células Beta residem mais especificamente em regiões do pâncreas conhecidas como Ilhotas de Langerhans e estão intimamente ligadas ao Diabetes.

Além da insulina, as células-beta produzem também outros hormônios, importantes para a regulação do corpo. Um outro detalhe interessante é que, além de fabricar, estas células também armazenam o hormônio. 

Ao abrir oficialmente o Colóquio, o professor Paulo Mathias disse que o Laboratório de Biologia Celular da Secreção (LBCS), do qual é o coordenador, tem tradição em organizar eventos.

Ele enalteceu o apoio da atual e das administrações anteriores da UEM na realização destes eventos e no reconhecimento de alguns dos principais cientistas da área da biologia celular.

Mathias destacou o papel de César Timo-Iara, que, conforme o professor, é o fundador da neurofisiologia tal como a conhecemos hoje.

A coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciências Fisiológicas (PFS), da UEM, Cecília Edna Mareze da Costa, disse que o evento reunia um pessoal seleto. Ela parabenizou a organização do encontro e afirmou que Mathias conseguiu a proeza de homenagear dois pesquisadores renomados num mesmo Colóquio.

palestra 2019

Ex-aluna de Carpinelli, Cecília se referiu a ele como um cientista marcado pela gentileza e a generosidade em ajudar outras pessoas. Destacou, ainda, o fato de existir vários discípulos de Carpinelli, especialmente sob o ponto de vista qualitativo, "todos apaixonados pela célula Beta".

A diretora do Centro de Ciências Biológicas (CCB), Káthia Mourão, disse que sem o trabalho de Carpinelli "não estaríamos aqui". Para ela, a carreira do pesquisador é uma árvore frondoza com ramos, frutos e sementes. Káthia também ressaltou o trabalho de Paulo Mathias, esclarecendo que a atuação dele resultou na criação do Núcleo de Estudos em Diabetes na UEM.

Representando o reitor Julio César Damasceno, o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, Clóves Cabreira Jobim, citou um texto de sua preferência, escrito pelo professor Isaac Roitman, segundo o qual a ciência é o melhor caminho para se conhecer o mundo. Outra frase de Isaac, membro da Academia Brasileira de Ciências, é que o conhecimento é o capital do mundo civilizado.

Segundo Clóves, a pós-graduação é sustentada por três pilares: infra-estrutura física, humana e financeira. Na opinião do pró-reitor, o principal deles são os recursos humanos, ou seja, a massa crítica que produz. Por fim, disse que a Universidade saudava o professor Carpinelli em nome dos 56 programas de pós-graduação existentes na UEM.

A equipe do Laboratório de Biologia Celular da Secreção da UEM responde pela organização do Colóquio. O evento conta com o apoio do CCB, Programa Núcleo de Estudos em Diabetes, e dos programas de pós-graduação em Ciências Biológicas (PBC), em Biociências e Fisiopatologia (PBF) e em Ciências Fisiológicas (PFS) da UEM. Outras informações pelo telefone (44) 3011-4892.

 

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