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Organizado pelo Neiab/UEM, com a OAB e o MP, evento discutiu impactos do racismo na restrição da cidadania dos negros; veja totos

Mais tradicional evento científico-acadêmico no norte do Paraná, a Semana Afro-Brasileira, em sua 13ª edição, reuniu cerca de 500 participantes no auditório da OAB de Maringá, durante os três dias de evento, 6 a 8 de novembro. 

O evento foi promovido pelo Núcleo de Estudos Interdisciplinares Afro-brasileiros (Neiab) da Universidade Estadual de Maringá, em parceria com a seção local da Ordem dos Advogados do Brasil (comissão Igualdade Racial) e a Fundação Escola do Ministério Público do Paraná (Fempar), além do apoio de diversos cursos de graduação e pós-graduação da UEM.

Esta edição teve como temática “Vidas Negras” e o objetivo da Semana foi problematizar e sensibilizar estudantes de graduação e de pós-graduação, professores do ensino superior, profissionais, estudantes do ensino técnico, professores da Educação Básica, comunidade externa e Movimentos Sociais para os impactos do racismo na restrição da cidadania de pessoas negras, influenciando atores estratégicos na produção e apoio de ações de enfrentamento da discriminação e violência.

No Brasil, sete em cada dez pessoas assassinadas são negras. Na faixa etária de 15 a 29 anos, são cinco vidas perdidas para a violência a cada duas horas. De 2005 a 2015, enquanto a taxa de homicídios por 100 mil habitantes teve queda de 12% para os não-negros, entre os negros houve aumento de 18,2%. A letalidade das pessoas negras vem aumentando e isto exige políticas com foco na superação das desigualdades raciais.

Segundo pesquisa realizada pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) e pelo Senado Federal, 56% da população brasileira concorda com a afirmação de que “a morte violenta de um jovem negro choca menos a sociedade do que a morte de um jovem branco”. 

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Segundo dados divulgados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), de cada mil adolescentes brasileiros quatro serão assassinados antes de completar 19 anos. Se nada for feito, serão 43 mil brasileiros entre os 12 e os 18 anos mortos de 2015 a 2021, três vezes mais negros do que brancos. Entre os jovens de 15 a 29, uma vida negra será perdida nos próximos 23 minutos. 

O evento buscou chamar atenção para a baixa presença de alunos e de alunas negras nas universidades estaduais do Paraná e colaborar de forma significativa com os debates em relação à implementação de cotas raciais para a população negra nos vestibulares das instituições.

Nos três dias do Encontro, discutiu-se a estratégia de valorização da vida negra e como o racismo afeta o cotidiano dessa população. Para além disso, o evento conseguiu um feito histórico no último dia: reunir três operadores do Direito, todas pessoas negras (foto acima), na mesa-redonda "Vidas Negras e Estado". 

Participaram do debate o promotor de Justiça do Ministério Público do Paraná, André Luiz Querino Coelho; o professor Luciano Góes, doutorando em Direito na Universidade de Brasília (UnB); e o advogado Maurício Domingos, professor e presidente da comissão de Igualdade Racial da OAB de Maringá, que atuou como mediador. 

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