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Setembro Amarelo é mês para reforçar ações, mas UEM faz pesquisa, extensão e atendimentos gratuitos o ano todo

Anos atrás, o Setembro Amarelo era quase invisível, porque “ninguém podia falar sobre suicídio”. Outubro Rosa e Novembro Azul, ao contrário, sempre foram protagonistas, com seus temas sendo amplamente discutidos na sociedade. Aos poucos, a situação está mudando… Durante o ano todo na Universidade Estadual de Maringá (UEM), por exemplo, diversas ações dão mais voz a esta campanha mundial de prevenção do suicídio.

Na UEM, as atividades visam “reflexão e desenvolvimento de recursos para promoção da saúde mental e prevenção e posvenção do suicídio (posvenção são ações de ajuda a quem é impactado por um suicídio)”. São promovidas pesquisas científicas, eventos e cursos de extensão, palestras, rodas de conversa e capacitações profissionais. Na linha de frente estão o Departamento de Psicologia (DPI), o Programa de Pós-Graduação em Psicologia (PPI) e o Centro de Ciências da Saúde (CCS).

Hoje (10) é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. Em todos os espaços, e não somente hoje, essa discussão é necessária. Torna-se ainda mais importante em âmbito acadêmico, afinal o suicídio é a segunda causa de morte entre jovens, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Outro registro assustador da OMS é que a cada 40 segundos uma pessoa no mundo consegue se suicidar. E mais: um estudo recente da Universidade de Boston aponta que durante a pandemia de covid-19 o índice de depressão triplicou nos norte-americanos.

A partir de prática e supervisão clínica, e de conhecimento do sistema de saúde, Lucia Cecilia da Silva, professora aposentada da UEM e docente voluntária do PPI, observa que pessoas que já tinham mais fragilidades emocionais tendem a ser aquelas que mais estão sofrendo com a quarentena. “A pandemia aguça muito a angústia, a ansiedade e os medos” declara a professora, também membro do Comitê de Prevenção e Posvenção do Suicídio da Secretaria Municipal de Saúde de Maringá (PR).

“É um mito pensar que somente quem tem doença mental chega a morrer por suicídio. Todos estamos sujeitos [a ter pensamentos suicidas], basta que estejamos num intenso sofrimento psíquico e que não encontremos um meio de dirimir esse sofrimento”, declara Silva. Portanto, é preciso ficar atento aos sinais, ter respeito com o sofrimento do outro, ouvi-lo e ajudá-lo a encontrar profissionais especializados. Segundo Silva, é preciso socorrer principalmente quem sofre violência, exclusão e preconceito de qualquer tipo, quem tem discursos ou atitudes muito pessimistas e quem já tentou se matar. Caso você seja essa pessoa em momento de aflição, busque ajuda o quanto antes.

 

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Procure ajuda especializada

Setores da UEM e do Hospital Universitário Regional de Maringá (HUM) prestam à população atendimentos gratuitos nas áreas psicológica, de assistência social e psiquiátrica. Não tenha preconceito, procure ajuda! Os profissionais irão te atender de forma sigilosa e individualizada.

Os servidores da universidade, tanto técnicos administrativos quanto docentes, podem receber, mesmo durante a pandemia, atendimento psicológico gratuito pelo Serviço de Medicina e Segurança do Trabalho (Sesmt) da Diretoria de Assuntos Comunitários (DCT). Para fazer um agendamento é preciso ligar no (44) 3011-4520, de segunda a sexta-feira, das 8h às 11h, ou enviar e-mail para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. .

Estudantes e servidores da UEM, e seus respectivos parentes de primeiro grau, têm atendimento psiquiátrico gratuito por meio do Ambulatório de Residência em Psiquiatria, no câmpus sede, em Maringá. Os agendamentos são feitos das 7h30 às 19h30, de segunda a sexta, pelo telefone (44) 3011-5874. Em alguns casos, os universitários também podem ser encaminhados à psicóloga da DCT. Se necessário, seja no Ambulatório ou na DCT, os pacientes recebem suporte de assistentes sociais e podem ser direcionados a serviços de apoio da rede municipal.

Renata Heller de Moura, coordenadora da Unidade de Psicologia Aplicada (UPA) do Complexo de Saúde da UEM, explica que devido à pandemia a unidade não atende novas demandas, mas continua atendendo de forma remota quem já era acompanhado. De acordo com a docente, o funcionamento deve retornar à normalidade quando as aulas de graduação voltarem ao modo presencial, já que se trata de um serviço-escola.

No entanto, durante o Setembro Amarelo é possível que qualquer pessoa, da UEM ou não, solicite atendimento psicológico gratuito na UPA. Moura explica que basta ligar, nos dias 16, 23 e 30 de setembro, entre 13h30 e 17h30, para (44) 3011-9070 e fazer a solicitação. “Em caráter especial, a equipe técnica avaliará as novas demandas neste mês”, pontua a coordenadora.

No HUM, onde há atendimento ambulatorial em Psiquiatria via Sistema Único de Saúde (SUS), também há o Serviço de Psicologia, que presta atendimento aos pacientes e aos familiares independentemente da causa da hospitalização. Os atendimentos ocorrem por meio de solicitações da equipe multiprofissional, de acordo com a demanda da doença, do paciente ou da família. Portanto, o HUM não recebe agendamento para sessão de psicologia clínica, como é o caso da UPA, uma vez que seu foco é totalmente voltado para o acompanhamento hospitalar.

 

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Ações desenvolvidas pela Psicologia

As pesquisas do DPI e do PPI oferecem “subsídios para que os professores e alunos envolvidos contribuam com a produção e socialização de conhecimentos sobre o suicídio”. As principais temáticas são: suicídio em populações vulneráveis; comportamento suicida entre universitários; vivências dos profissionais de saúde da rede pública ante usuários com comportamento suicida; vivências do profissional da psicologia no manejo da crise suicida; suicídio na adolescência; programa de prevenção do suicídio nas escolas; percepção sobre suicídio a partir de postagens em rede sociais.

Dentre os diversos eventos organizados por DPI e PPI, ou com participação deles, um que se destaca é a capacitação que Silva ministrou em 2018 para socioeducadores do Estado do Paraná, a partir de convite da Secretaria de Estado da Justiça, Família e Trabalho.

 

Suicídio em discussão

Para debater o assunto, às 17h de hoje a UEM fará live com Lucia Silva e Julio César Damasceno, reitor. Amanhã (11), a partir das 19h30, Silva também estará presente na live “A família diante da crise suicida”, promovida pela organização não governamental Decida Viver.

Para os dias 29 e 30 de setembro está prevista a realização do evento on-line “Conversas sobre a Prevenção do Suicídio”, organizado pelo PPI. Silva adianta que “os pesquisadores do DPI e do PPI debaterão o tema, a partir de seus estudos”. Será aberto à comunidade e todas as informações sobre esta atividade estarão disponíveis em breve no site do PPI, sendo que as inscrições deverão ser abertas no próximo dia 21.

Ednéia José Martins Zaniani, professora do DPI e do PPI da UEM, e sua orientanda Raíssa Paschoalin Palmieri, mestranda em Psicologia que finaliza uma dissertação sobre suicídio na adolescência, participarão do evento on-line “Sofrimento psíquico na infância e adolescência e prevenção do suicídio”. Organizado pela Comissão Regional de Enfrentamento às Violências contra Crianças e Adolescentes de Maringá, formada por diversas instituições, incluindo a UEM, será realizado em 23 de setembro.

O evento será aberto somente para profissionais que atuam na rede de proteção dos 30 municípios que compõem a Associação dos Municípios do Setentrião Paranaense (Amusep). “A proposta é abrir um espaço de discussão sobre fatores de risco ao suicídio na infância e adolescência no período da pandemia, mas principalmente refletir sobre possibilidades de prevenção e cuidados em saúde mental”, declara Zaniani.