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Estudo ganhou visibilidade internacional após ser publicado na renomada revista britânica Biology Letters

Resultado de 20 anos de trabalho desenvolvido por pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Ecologia de Ambientes Aquáticos Continentais (PEA) da Universidade Estadual de Maringá (UEM) ganhou destaque internacional na revista Biology Letters, vinculada à renomada The Royal Society. A pesquisa está vinculada ao Departamento de Biologia (DBI) e ao Núcleo de Pesquisas em Limnologia, Ictiologia e Aquicultura (Nupélia) da universidade.

O artigo intitulado "Declínio generalizado de insetos aquáticos subtropicais ao longo de 20 anos impulsionado pela transparência da água, peixes não-nativos e desequilíbrio estequiométrico" faz parte do projeto Pesquisas Ecológicas de Longa Duração - PELD, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e desenvolvido na planície de inundação do Alto Rio Paraná, divisa do Paraná com Mato Grosso do Sul, onde o Nupélia tem a Base Avançada de Pesquisas.

Desenvolvido com parceria internacional, o projeto revelou que as hidroelétricas estão causando um declínio generalizado dos insetos que vivem na água, os quais desempenham uma enorme variedade de funções nos ecossistemas aquáticos e terrestres, o que inclui a polinização de áreas agrícolas, a realização do controle de pragas e a disponibilidade de alimento para outros animais.

Roger Paulo Mormul, pesquisador do PEA/Nupélia explica que a região tropical e subtropical possui a maior biodiversidade do planeta, no entanto, também está entre as mais ameaçadas, segundo ele, devido às atividades humanas.

Ainda de acordo com Mormul, no Rio Paraná e seus afluentes estão instaladas mais de 130 barragens, as quais têm causado alterações na qualidade da água, ciclagem de nutrientes e introdução de espécies não-nativas, como peixes que se alimentam dos insetos. “Assim, o declínio que registramos ocorre devido às alterações ambientais causadas pelas hidroelétricas. As consequências desse declínio são catastróficas e podem ser tão terríveis que a comunidade científica tem chamado de “apocalipse dos insetos””, conclui Roger Paulo Mormul.

Além de Mormul, participaram da pesquisa Dieison Moi, da UEM; Gustavo Romero e Pablo Antiqueira, da Universidade de Campinas (Unicamp); Pavel Katrina e Liam Nash, da Queen Mary University of London.

 

Sobre a The Royal Society

É a mais antiga sociedade científica do Reino Unido, em continua existência, e dedicada a promover a excelência na ciência para o benefício da humanidade.